Entrevista sobre a síndrome do ninho vazio

Em entrevista à jornalista Patrícia Trudes Veiga, do Instituto Mongeral Aegon, a psicanalista Luciana Mannrich reflete sobre a síndrome do ninho vazio e sua relação com o processo de envelhecimento.

A Síndrome do Ninho Vazio bateu à sua porta?

Se você está triste com a partida dos filhos de casa e se perguntando qual o sentido de sua vida, você provavelmente está passando por ela

Mãe de um único filho, a dentista Renata Meirelles, 51 anos, comemorou efusivamente a entrada do jovem em uma universidade pública no interior de São Paulo. Ajudou-o na mudança, na decoração do apartamento, nas primeiras compras. E ligava todos os dias. “Mas, aos poucos, vi que ele não tinha tempo para falar comigo. Foi um choque, caí numa tristeza profunda”, lembra.

O mesmo sentimento invadiu a vida da funcionária pública aposentada Ruth Nepabuceno, 58 anos, no ano passado, quando suas duas filhas se casaram e foram morar em outros Estados. “De repente, acabou a rotina frenética e a casa ficou silenciosa”, conta. “Não tinha mais companhia para nada, estava sozinha e sem vontade, às vezes, até mesmo de sair da cama.”

Renata e Ruth sofrem de uma crise muito específica vivida no momento em que os filhos saem de casa. “Hoje trabalha-se com uma diferenciação entre Síndrome do Ninho Vazio, termo que se refere ao momento em que o último filho sai de casa, e Ninho Vazio, referente à mudança de papel dos pais”, explica Luciana Goulart Mannrich, psicóloga e fundadora da Porvir.

“Se o primeiro momento é agudo, por desestabilizar uma organização estabelecida, o segundo é de adaptação a essa mudança. Como toda crise, causa desestabilização e pode gerar tristeza e angústia. Ela costuma acontecer concomitantemente a outras crises, como menopausa e aposentadoria, que podem torná-la ainda mais difícil de lidar”, avalia.

Os sintomas

E como saber se a Síndrome do Ninho Vazio bateu à sua porta? Como o próprio nome diz, ela diz respeito a um momento vivido pela maioria das pessoas em determinada fase da vida. “Se você está triste com a partida de seu filho, se perguntando qual o sentido de sua vida sem ele e sentindo dificuldade para ter prazer em suas atividades, você provavelmente está passando por ela.”

O início, alerta a psicóloga, é pontual por estar ligado a algo muito específico. “Mas como essa crise se desdobrará depende muito de como a pessoa lida com os momentos difíceis e de sua capacidade para se refazer e encontrar novos interesses”, explica. Foi o que aconteceu com Renata, que passou a se dedicar mais ao casamento e à carreira.

“Quando você se depara com a mudança, a vida te dá todos os recursos para você se adaptar àquela nova etapa. Você tem, na verdade, é que estar muito atento a eles. Eu procuro desenvolver a habilidade de receber bem o novo. Meu filho estudar lá é uma nova etapa. É uma nova vida, para ele e para nós, os pais.”

O tratamento

“Cada pessoa vai lidar com as muitas crises que se apresentam em suas vidas de acordo com as ferramentas de que dispõe”, explica Luciana. Com Ruth, por exemplo, foi diferente. A tristeza caminhou para uma depressão, e ela buscou ajuda psiquiátrica. Fez terapia por um ano e hoje diz que o assunto é página virada: “Me doei a tal ponto que eu já não sabia mais quem eu era”.

O fato é que “a crise desencadeada pela saída dos filhos do lugar principal da vida de uma pessoa pode ser um momento muito rico de descobertas e redirecionamentos”, aponta a psicóloga. “Nunca é tarde para buscar cursos e programas com amigos que possam dar à vida um novo sentido.”

Quando os filhos compreendem que sua saída significa um momento difícil para os pais, podem tentar ser mais compreensivos e pacientes, diz Luciana. “Mas é muito importante que não se culpem por essa crise vivida pelos pais e encarem esse momento como um passo natural e importante em suas vidas.”

A prevenção

A melhor prevenção para é ter uma vida rica de interesses e paixões, com alerta ligado, em todas as fases, para que o cuidado e a atenção dispensados aos filhos não impeçam projetos individuais. “Nossa cultura ainda coloca a mulher como principal responsável pelo cuidado com os filhos, o que muitas vezes a impede de seguir estudando e se aprimorando. Mas é possível seguir com pequenos projetos que ajudem a cultivar a individualidade”, diz a psicóloga.

Para Luciana, o modo como a pessoa experiencia a Síndrome do Ninho Vazio está muito ligado à sua capacidade de elaborar perdas e lutos ao longo da vida. “Estamos sempre perdendo alguma coisa e tendo que aprender a lidar com isso. O envelhecimento e as crises que o acompanham obriga a um reposicionamento frente à vida e ao redirecionamento da energia para novos projetos. Isso pode ser muito custoso para pessoas que não aprenderam a fazer isso ao longo da vida.”

 http://institutomongeralaegon.org/estilo-de-vida/a-sindrome-do-ninho-vazio-bateu-a-sua-porta

Eu, Daniel Blake

Filme comovente sobre a velhice. Entramos em contato com a heterogeneidade das velhices possíveis e do desamparo que surge do encontro entre velhice e pobreza. Filme mostra de maneira sensível e realista o que acontece frequentemente em varias cidades do mundo. Homem fica viúvo, adoece e sem poder trabalhar entra na zona de pobreza. Porém por ser um filme e não a realidade, vemos surgir a solidariedade e o humanismo nos momentos de maior fragilidade e desespero. Apesar do tema pesado, o filme nos deixa esperançosos de que talvez por meio de um melhor relacionamento intergeracional possamos encontrar melhores formas de envelhecer, mais éticas e coletivas.

https://www.youtube.com/watch?v=K-zFLuG3Y0o

Existem sinais de que é hora de pedir ajuda?

Em nosso cotidiano de trabalho observamos que muitos familiares se sentem pegos de surpresa por mudanças ocasionadas pelo envelhecimento de seus pais ou sogros. Embora a sensação seja de que tudo aconteceu de repente, há mudanças que se dão de maneira discreta e que, quando observadas, podem nos preparar para novas tomadas de decisão.

Saiu essa semana um artigo http://oglobo.globo.com/sociedade/ciencia/sensores-podem-prever-queda-de-idosos-com-antecedencia-20943403 sobre a criação de um sensor capaz de prever com antecedência de até 3 semanas as quedas tão comuns na velhice. De acordo com Marjorie Skubic, professora que desenvolveu o sensor, essa inovação permitiria aos idosos ficarem mais tempo em casa.

Nesse mesmo sentido de antever as mudanças que vêm com a idade, Paula Spencer, do site Caring.com https://www.caring.com/ lista uma série de sinais de que o idoso já não tem condições de viver sozinho e precisa de ajuda em sua casa ou mudar para um residencial. A Sociedade de Geriatria e Gerontologia nos fornece uma versão em português: http://www.sbgg-sp.com.br/pub/sera-que-o-idoso-ainda-e-capaz-de-morar-sozinho/

Esse tipo de publicação nos convoca a pensar sobre a atenção que deve ser voltada para o cotidiano dos idosos que conhecemos. Há sinais sutis de mudanças que indicam perda de autonomia e necessidade de criar novos arranjos na casa e na ajuda a esse idoso. É sempre muito importante atentar para o limite tanto do idoso quanto daquele que se coloca no lugar de cuidar dele. Ainda que a crença difundida seja a de que os familiares são os responsáveis pelo cuidado do idoso, muitas vezes é necessário pedir ajuda e dividir essa responsabilidade com profissionais qualificados.

Filme Toni Erdmann

http://www.adorocinema.com/filmes/filme-228026/trailer-19553477/

Nesta sexta estreia no Brasil um filme premiado aqui na Europa chamado Toni Erdmann. Este filme me tocou muito pois fazia tempo que não via um filme sobre envelhecimento tratar de assuntos sérios com tanto humor. O filme de quase três horas passa rápido pois a diversão e a surpresa duram do inicio ao fim. O filme é alemão mas se passa na Bulgária e mostra um pai no fim da vida tentando se aproximar da filha, uma executiva de sucesso que não tem tempo para ter uma vida afetiva. Acho que a palavra que me vem à mente é liberdade. Liberdade de se poder criar na velhice meios singulares para se enfrentar os dilemas humanos. Liberdade da diretora por usar o cinema como meio de expressão artística para nos fazer sentir e viver junto com os personagens emoções que nos tocam a todos. O tipo de filme que pode trazer estranhamento para alguns mas que para outros como eu, deixam uma saudades no final pois fica o desejo de querer os personagens pra sempre em sua vida.

Ciência e proteção ao fim da vida Claudia Burlá

Interessante entender os cuidados paliativos acompanhando a biografia da medica pioneira Claudia Burlá. Temos muito que melhorar no nosso processo de nascer, viver envelhecer e morrer. Neste video, a médica explica como ter uma doença grave pode ser uma oportunidade para fazer um balanço da vida e poder se despedir. Com as “diretivas antecipatorias da vontade” cada um pode conversar cm seu medico para fazer valer sua vontade nos cuidados quando se esta doente. Até para quem ja estudou o assunto o video apresenta informações novas, por exemplo, que depois da dor é a fadiga o maior sintoma de quem esta em cuidados paliativos. Sintoma par ao qual há pouca intervenção medicamentosa possivel mas que a massagem por exemplo tem grande eficacia. Mais um campo no qual, felizmente (já?) estamos engatinhando…

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A Despedida Filme

Pesquisando sobre Cuidados Paliativos encontrei este filme brasileiro pouco conhecido. Além de tratar de tabus e questoes essenciais ligadas ao tema do envelhecimento, o filme em si é muito bonito pois só vamos entender a historia ao longo do filme. A primeira parte é dificil de assistir porem é uma experiencia essencial para quem se interessa pelo tema do envelhecimento pois nos faz sentir na pele como uma ação simples como levantar e tomar banho pode se tornar complexa quando tivermos 90 anos. Precisamos de mais filmes assim que mostrem que é possivel viver uma vida cheia de liberdade e intensidade até o ultimo dia.

Olá meu nome é Doris Filme

[youtube id=”L6vBnnryIug”]

Assisti “Olá meu nome é Doris”. Dei muita risada pois diferente dos outros filmes sobre o tema do envelhecimento este é uma comédia e uma comédia bem feita pois toca em temas profundos como o luto, a perda, a sexualidade e a esperança. Doris se apaixona por um homem mas novo no seu trabalho. Junto com a personagem, nós acompanhamos apreensivos e deliciados  seus sonhos e anseios e além dos medos que nos tomam diante do amor quando somos jovens aqui vivemos um complicador adicional pela personagem ser velha. Na minha opinião, nao importa muito se Doris beija ou não o bonitão no final do filme e sim, como nos clássicos filmes de heróis, o que importa é a transformação do personagem ao longo dos desafios do percurso. O que aprendi é que não importa sua idade mas para sentir prazer na vida é preciso sonhar e investir energia em novos projetos numa perpetua mudança. A coragem do Doris me inspirou !

A viagem de meu pai

http://www.ccine10.com.br/a-viagem-de-meu-pai-critica/

Com uma rica fotografia e uma estética caprichada, A viagem de meu pai é, sem dúvidas, o melhor filme de seu realizador até aqui. Nos leva a enxergar a vida de maneira mais solidária, humana: as pessoas estão aí, o tempo passa e não volta jamais – então por que perder tempo com desentendimentos, discussões tolas ou brigas? Isso não é piegas, mas realidade: só percebemos o quanto alguém é importante para nós quando o perdemos – então por que não amar as pessoas como elas realmente são e aproveitarmos o tempo ao lado delas enquanto elas ainda estão vivas? Nos presenteando com um belíssimo desfecho, A viagem de meu pai é um título que consegue a proeza de tratar temas pesados com muita delicadeza e isso já faz dele uma obra magnífica e necessária.

a vigem de meu pai

O que é importante no fim da vida

Linda palestra da coleção TED onde o paciente e médico BJ Miller conta emocionado sua historia e seu cotidiano num hospice. Inspirador para nos fazer pensar nas pequenas coisas que podemos mudar para tornar a vida de todos a nossa volta melhor e principalmente a daqueles que estão no processo de morrer.

 

[ted id=”bj_miller_what_really_matters_at_the_end_of_life”]

Filme Truman

Sensível filme a respeito da despedida no final da vida com atores magnificos. Questoes relativas a historia de vida, a autonomia, a amizade e ao fim da vida como um possivel projeto de vida sao lindamente contempladas

 

 

 

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